16/06/2008

SEITURAS TRASMONTANAS

   A SEITURA

 

 Andaba eu preparando, e un decir, de feito xa o teño medio embergado, un articuliño para falar do liño alá polos meus anos de rapaz, e buscando algunha información, para non darle tanto traballo o caletre, pois polo que le pagan, dí que chega ben, e de sútaque atopeime, con unha escrita sobre a segada, feita por un portugués da zona de Tras os  Montes, de cómo era a segada por aquelas terras.

 “Mutatis mutandi”, podese extrapolar á zona de Val dos Marcos, pois eu ó que recordo e caseque igualiño.

 Non quixe traducir o artículo, pois considero que seria pouco correcto, aparte de que o portugués comprendese perfectamente.

 Eu atreveriame a decir que, si decimos que en Val dos Marcos falamos galego, tamen poderiamos decir que falamos portugués, pois a construcción das frases, practicamente, é a misma.

 Esto é o que di José Magalhaes, da Segada nalgunha zona de Tras os Montes:

 

               A SEGADA.-

 Dantes a vida era dura. Todos dizem e, pelos testemunhos, assim era, pelo menos na segada. Era, de facto, de sol a sol.
    O dia de trabalho começava ao nascer do sol com o desenjum, em casa do dono da segada, pelas seis da manhã. Ninguém se sentava. À porta de casa ou na cozinha, era pegar num cibo de pão com queijo, azeitonas e um copo de vinho e toca a andar, a caminho da segada.
    Lá chegados, era tempo de meter mãos à obra. Os profissionais mostravam os seus pergaminhos: colocavam dedeiras e até enchabavam. Além disso foram os primeiros a aparecer com as ceitouras de corte e não de pique como era tradicional. As ceitouras de corte começaram a vir de contrabando, trazidas pelos peliqueiros. Eram consideradas perigosas porque, dizia-se, traçavam um dedo, redondo, num instante, mas rapidamente se impuseram pela eficácia de corte.
    À frente ia o capataz. Os restantes lá se colocavam, homens e mulheres contrapeados, os homens com três sucos e as mulheres com dois. O capataz era um segador experiente, da confiança do patrão e cuja lealdade era paga com mais algum dinheiro, além da jeira. Ia à frente, a abrir o eito ou a assucada, comandando o rancho e mantendo um ritmo certo, de acordo com as instruções do patrão.
    Os mais do fado desafiavam os restantes com os cantares da segada, para animar e manter o ritmo.
    Cada um doseava o seu ritmo mantendo uma pequena distância ao da frente. Se o da frente começasse a atrasar-se, o que o precedia dava um primeiro aviso batendo-lhe com as espigas no rabo. Se ele não começasse a despachar-se partia-se para a afronta mais séria e vergonhosa: a ultrapassagem. Os mais lentos lá iam fazendo das tripas coração para não darem parte de fracos e aguentarem o ritmo.
Uns a cegar e outros a atar, dava-se uma escocha boa na terra, até à hora do almoço.
    Pelas nove horas, alegria geral ao avistar a burra, carregada com os alforges do almoço que consistia nas famosas sopas da segada e depois as batatas cozidas com bacalhau. As sopas da cegada, ainda hoje, há quem as gabe e tenha saudades delas. Havia pequenas variantes na forma de as confeccionar mas, basicamente eram sopas de trigo amolecido com a água de cozer o bacalhau. Depois, deitava-se-lhe por cima uma sertã de azeite rijado com alho ou cebola e colorau. O alho também havia quem o pusesse em cru por cima das sopas, antes de lhe pôr o azeite rijado.
    Findo o almoço, voltava-se à lida, até ao jantar, pelo meio dia - batatas guisadas com canhono, arroz de feijão ou de grabanços e salada de alface.
    Ao almoço havia uma pausa de duas horas, uma para comer e outra para descansar mas, na hora de descanso, supostamente para dormir, os mais brincalhões aproveitavam para pregar umas partidas.
Pelas duas horas, sob o sol tórrido do Verão, era altura de voltar ao serviço. Alguns aproveitavam para dizer, como o cigano: - Quanto mais o sol quece, mais eu s(c)ego.
    Pelas cinco da tarde vinha a merenda – Arroz de pordentros do canhono, ou linguiça e presunto cozidos e salada de alface. Merenda comida, companhia desfeita e a labuta continuava até ao pôr do sol – pelas nove e meia.
    No regresso à aldeia, já em casa do lavrador, era a hora da ceia - Batatas cozidas com capote, azeitonas e caldo de rábias. Nessa altura o cansaço já era tal que alguns preferiam nem cear para irem mais cedo para a cama porque, no dia seguinte, a segada continuava.
A acompanhar a comida, claro está, a cabaça do vinho não tinha descanso, a rodar de boca em boca, sempre no mesmo ritual: cada um recebia a cabaça, vinda do colega à sua direita, passava-lhe o antebraço pelo gargalo para o “limpar”, bebia e entregava-a ao colega à sua esquerda que fazia o mesmo e a passava ao seguinte. Havia sempre quem reparasse quanto comia e bebia cada um dos outros e, frequentemente, lá vinha a estória do outro que deu 27 vezes ao nó e o patrão despediu dizendo que comia muito e não bebia mal, segava pouco e atava mal. O tacho ficava no chão, encima das toalhas e cada um acilhava como podia, sentado ou ajoelhado, à volta do dito e lá iam espetando o garfo ou a colher, todos do mesmo caçoilo. Era um regalo ver toda a gente a comer e beber com apetite. Ninguém tinha fastio e não era preciso esfregar-lhes a boca com vinagre.
    Os segadores já sabiam quem eram os lavradores fomentos e os que tratavam bem. Claro que os fomentos tinham sempre dificuldade em arranjar segadores.

Enviado por José Magalhães
30/12/2005

 
Posted by Xabrés da Teixeira at 22:48:51 | Permanent Link | Comments (3) |
Comentarios
1 - Disculpadme por no escribir en galego, pués no me atrevo
Cuando llegaban las labores del verano, los que no teniamos casi nada, nos inchabamos a trabajar para los que tenian todo. Y a veces muy mal alimentados.El portugués tiene razón.
En el meson de Marcelino nos tomaremos una cerveza en verano. (Comment this)

Escrito por: Anónimo at 2008/06/17 - 10:54:46
2 - Xabrés, como vexo que estás encigoñado coas faenas doutros tempos, vouche deixar o campo libre. Se non, vai parecer que andamos á porfía e eu nunca che fun especialmente competitivo. Xa terei tempo de contar a miña memoria de labrego. De labrego dos que tiñan todo... o traballo, dos que sempre tiñan faena por facer, mesmo cando a maioría do seu tempo xa podían escapar a refrescarse no río. En fin, o inconformismo ten que ser o que nos diferencie doutros animais, ¿non?
Apertas (Comment this)

Escrito por: Javier Loro at 2008/06/17 - 19:53:19
3 - A ver Ho, Non debes pensar neso, eres libre para contar o que queiras e como queiras. O que ocurre é que xa fai un tempo, que eu escomencera unha especie de etnografia da zona, na que referia este tipo de cousas das que me acordo. Creo que xa falei das preseiras dos muiños e de algo mais. Espero que non o tomes como unha competición nin nada parecido, seguramente a túa visión das cousas e distinta a miña.
Xa ves que eu salto de unhas cousas as outras, dependendo do ánimo é do que se me acorde no momento de contala.
Apertas. (Comment this)

Escrito por: Xabrés at 2008/06/17 - 21:15:14
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